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  • União Brasil rompe com governo Lula e mira eleições 2026 com pré-candidatura própria

    União Brasil se afastou formalmente do governo Lula e caminha para as eleições 2026 com federação ao PP e pré-candidatura própria ao Planalto.

    Como o União Brasil chegou a este momento

    O União Brasil nasceu da fusão entre o Democratas (DEM), historicamente oposicionista ao PT, e o PSL, legenda pela qual Jair Bolsonaro foi eleito presidente em 2018. Hoje o partido reúne a maior bancada do Centrão na Câmara, com 59 deputados, além de seis senadores — incluindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Ao longo do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva nesta gestão, o União Brasil chegou a ocupar múltiplos cargos de primeiro escalão no governo, incluindo o Ministério do Turismo.

    Esse período de proximidade com o Planalto começou a se desfazer ao longo de 2025. Em setembro daquele ano, a executiva nacional da legenda, comandada pelo presidente do partido, Antônio Rueda, deu um prazo de 30 dias para que todos os filiados deixassem cargos no Executivo, sob risco de configurar infidelidade partidária. A medida marcou o início de um movimento de ruptura formal com o governo, ainda que sem consenso total dentro da própria sigla — enquanto Rueda buscava unificar o partido em torno de um discurso de oposição, Alcolumbre seguia sustentando parte da base governista dentro do União Brasil.

    O caso Celso Sabino e a expulsão que expôs a divisão interna

    O ponto mais visível dessa tensão interna envolveu o então ministro do Turismo, Celso Sabino, que se recusou a deixar o cargo mesmo após a determinação do partido, alegando compromisso com a organização da COP30 em Belém. A resistência levou a um processo disciplinar movido pela executiva nacional, concluído em dezembro de 2025 com a expulsão de Sabino do União Brasil. Em entrevista à imprensa na época, o ex-ministro classificou a decisão como injusta, afirmando ter sido “responsável” ao não abandonar as ações que vinha conduzindo. Meses depois, em abril de 2026, Sabino encontrou novo abrigo partidário ao se filiar ao PDT, oficializando pré-candidatura ao Senado.

    A federação com o PP e o projeto para as eleições 2026

    Paralelamente à ruptura com o governo, o União Brasil formalizou uma federação com o Partido Progressista (PP), batizada de União Progressista. A aliança obriga atuação conjunta das duas siglas por quatro anos e forma o maior bloco partidário da Câmara dos Deputados, com 109 parlamentares, além do segundo maior bloco no Senado, com 15 senadores. A federação se aproxima do campo bolsonarista e deve apoiar um nome de direita na disputa presidencial.

    Nesse cenário, o União Brasil também mantém pré-candidatura própria ao Palácio do Planalto: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, colocou-se como opção da legenda para 2026, com integrantes do partido sinalizando que ele tem os próximos meses para demonstrar viabilidade eleitoral antes de uma decisão definitiva sobre lançar ou não um nome próprio na disputa.

    Participação institucional no processo eleitoral

    Fora do jogo político-partidário direto, o União Brasil também tem atuado no campo institucional das eleições 2026. Em maio de 2026, o partido se tornou a primeira legenda a inspecionar os códigos-fonte dos sistemas eleitorais que serão usados no pleito, em atividade promovida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dentro do Ciclo de Transparência Democrática. Representantes do partido tiveram acesso a um ambiente seguro preparado pelo TSE para a análise dos programas que operam as urnas eletrônicas, numa fiscalização aberta a partidos, coligações e entidades da sociedade civil.

    O calendário eleitoral à frente

    As eleições gerais de 2026 estão marcadas para 4 de outubro, em primeiro turno, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Até lá, o União Brasil segue equilibrando dois movimentos que nem sempre andam juntos: o distanciamento formal do governo Lula liderado por Rueda e a ala ainda próxima ao Planalto sustentada por Alcolumbre no Senado. Como esses dois polos internos vão se equilibrar até a convenção partidária é uma das questões em aberto que devem definir o posicionamento final da legenda na disputa presidencial e nas eleições estaduais e legislativas deste ano.